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Ex-diretor da cadeia de Diadema presta esclarecimentos

João Alves teria dirigido críticas ao governo porque se sentiu acuado

A Comissão de Segurança Pública da Assembléia Legislativa ouviu, no dia 24 de março, o ex-diretor da Cadeia Pública de Diadema, Dr. João Alves de Almeida. O delegado falou sobre sua atuação frente a unidade prisional e o período em que o local foi palco de fugas e mortes de presos.

Almeida foi afastado de sua função no dia 19 de fevereiro após denunciar a precariedade da cadeia e responsabilizar publicamente o governo do Estado e duas Secretarias - Segurança Pública e Administração Penitenciária - pelas péssimas condições da cadeia.


João Alves presta esclarecimentos

A Secretaria de Segurança Pública abriu processo para expulsá-lo da corporação, porque o delegado teria dado atributos de realeza ao governador e dois secretarios, ao chamá-los de "rei" e "príncipes". A exoneração do delegado seria baseada no artigo 62 da lei orgânica da Polícia Civil, que prevê tal procedimento em caso de desrespeito a superior.

O delegado afirmou que assumiu o cargo de diretor em setembro de 2001 e já naquela ocasião passou a notar irregularidades na cadeia. Almeida teria comunicado seus superiores por meio de ofícios, até solicitar a interdição do local, em janeiro de 2002, devido a superlotação e falta de infra-estrutura. Entretanto, a cadeia só foi interditada, por ordem judicial, em dezembro de 2003.

"Tivemos 370 presos onde deveria ter 60"

O delegado lembrou que a partir dessa data os presos deveriam ser transferidos, no prazo de 90 dias, e nenhum outro detento poderia ser aceito na unidade. O ex-diretor observou que o estabelecimento chegou a ter seis vezes mais detentos do que comportava. "Tivemos 370 presos onde deveria ter apenas 60", declarou.

Almeida oficiou os superiores sobre a interdição e solicitou ao secretário de Administração Penitenciária a indicação de um novo local para abrigar os presos, porém não obteve resposta.

O ex-diretor da cadeia admitiu que se excedeu ao criticar o governo. "Indignei-me. Exagerei nos pronunciamentos, apontando secretários como 'príncipes' e o governador como 'rei'. Foi um ato de defesa", desabafou Almeida.

"Indignei-me. Mas foi um ato de defesa"

Almeida salientou que recebeu novos presos durante a interdição porque seu cargo não tinha competência legal para transferir ou enviá-los para outros locais.

A Comissão de Segurança decidiu acompanhar de perto todo o processo e visitar a Cadeia Pública de Diadema. Na reunião, também foi aprovado um requerimento solicitando a cópia de toda a ação judicial envolvendo João Alves.



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Fabio Taroda